A entrevista que havíamos prometido semana passada, agora está no ar. André Kfouri, jornalista esportivo do canal ESPN e do jornal Lance, nos concedeu quase uma hora de entrevista e material a ser publicado. Iremos colocar os principais momentos dessa entrevista, confira:
Boleiros da Facul: Como você começou sua carreira ?
André Kfouri: Eu comecei em 1993 na Rádio Jovem Pan de São Paulo, eu tinha acabado de entrar na faculdade, e eu tive que começar a trabalhar o quanto antes.Na minha familia tem muitas pessoas que são jornalistas e uma coisa que todas diziam para mim é que na verdade a faculdade é importante, o Brasil vive essa questão da obrigatoriedade do diploma às vezes em vigor, às vezes não.Mas o que forma o jornalista mesmo é o dia-a-dia, é a rua, a atividade, a prática, e eu tinha muito claro pra mim que o quanto antes eu começasse a trabalhar junto com a faculdade, até porque todos vestibulares que eu prestei foram sempre a noite pra poder ter tempo de trabalhar, e fui bater na porta da rádio Jovem Pan e consegui uma espécie de estágio, trabalhando na rádio escuta, aprendendo as coisas e em turnos diferentes.E era um período de experiência por três meses.Um rádio escuta ouve e vê as noticias, de outras rádios, de outras canais, até mesmo internacionais,ouvem a frequência dos bombeiros, da polícia e da ambulância e o intuito é perceber rapidamente alguma coisa que está acontecendo, e a partir disso avisar uma pessoa e ver a possibilidade da rádio cobrir algum desses acontecimentos que foram relatados.Eu trabalhava no turno da manhã, das seis ao meio dia e eu pegava os boletins do turno anterior e tinha de datilografar e entregar ao editor.Com o tempo, com a minha habilidade em falar inglês na rádio escuta e no meu horário, fui colocado para ver noticias da CNN, por duas horas pela manhã, e eu tinha de selecionar o que de mais importante acontecia e entregar um relatório também.Por causa disso, comecei a falar no ar e depois a fazer reportagens de trânsito, acho que todos passam por isso.A rádio escuta é a grande formadora de profissionais de todas as areas.
BF: Até que ponto houve uma influencia familiar na sua escolha por jornalismo ?
AK: Teve muita influência familiar,mas não proposital.Nem meu pai e nem minha mãe viraram e disseram que eu deveria ser jornalista ou que não fosse, ou esse caminho é legal, esse não é.Ninguém tentou me encaminhar pra profissão nenhuma.Mas tem uma coisa, a vida de jornalista não consegue ter uma separação muito clara entre o profissional e o pessoal, você trabalha em horários diferentes da maioria das outras pessoas, trás muita coisa para casa, principalmente no jornalismo esportivo, porque quando não está trabalhando você está assistindo e tudo mais.E eu percebia na atividade deles (seus pais) especialmente do meu pai, que desde que eu nasci já era jornalista esportivo, e eu fui me envolvendo com aquilo, quando eu tinha sete anos meu pai estava na Copa do Mundo, quando eu tinha 11 ele estava nas Olimpíadas.Aí, a partir do momento que eu pude acompanhá-lo nas redações onde ele trabalhou e fui me envolvendo por esse tipo de ambiente e por esse estilo de vida.Então eu sempre tive muito claro que eu queria ser jornalista.
BF: O que você acha que é essencial para um recem-formado entrar no mercado de trabalho ?
AK: Tem muitas coisas que são essenciais e tem muitas coisas que trabalham contra e não adianta a gente querer fugir dessa situação porque é assim que funciona.Eu percebo que depois que eu entrei pro mercado, as coisas só pioraram em termos de competividade, em termos de número de vagas nas redações e principalmente, aqui no Brasil, aquilo que chamamos de substituição de mão-de-obra.Então tem muitas redações que substituem um cara que ganha X, por outro que ganha X sobre 3.Paga a mesma coisa e tem mais gente trabalhando, porque sabe que tem muita oferta, muita gente afim, as faculdades despejam milhares de estudantes todos os anos, as pessoas precisam começar a trabalhar, mas não é nenhuma demérito para alguém começar a trabalhar por pouco dinheiro.O que fazer para superar essa dificuldade, primeiro, independentemente de qualquer coisa, você sempre pode investir na sua formação, isso claro custa dinheiro no caso de um curso de línguas, de computação, que são coisas importantes para a formação.Mas leitura, cultura está acontecendo e passando na nossa frente o tempo todo.Então assim, todo e qualquer tipo de investimento na sua formação, língua, livros,revistas, jornais e qualquer outra habilidade que o diferencie das outras pessoas.Tem a pessoa que é o pacote básico, outra é o pacote intermediárioe temos também as que são o pacote avançado.Seja o avançado, na hora que você for bater em algum lugar, ofereça coisas que a pessoa não espera da maioria.E o que é mais importante é ler, porque quanto mais você lê,melhor você escreve e assim mais dificil é de alguém tomar o seu lugar.
Boleiros da Facul: Como você começou sua carreira ?
André Kfouri: Eu comecei em 1993 na Rádio Jovem Pan de São Paulo, eu tinha acabado de entrar na faculdade, e eu tive que começar a trabalhar o quanto antes.Na minha familia tem muitas pessoas que são jornalistas e uma coisa que todas diziam para mim é que na verdade a faculdade é importante, o Brasil vive essa questão da obrigatoriedade do diploma às vezes em vigor, às vezes não.Mas o que forma o jornalista mesmo é o dia-a-dia, é a rua, a atividade, a prática, e eu tinha muito claro pra mim que o quanto antes eu começasse a trabalhar junto com a faculdade, até porque todos vestibulares que eu prestei foram sempre a noite pra poder ter tempo de trabalhar, e fui bater na porta da rádio Jovem Pan e consegui uma espécie de estágio, trabalhando na rádio escuta, aprendendo as coisas e em turnos diferentes.E era um período de experiência por três meses.Um rádio escuta ouve e vê as noticias, de outras rádios, de outras canais, até mesmo internacionais,ouvem a frequência dos bombeiros, da polícia e da ambulância e o intuito é perceber rapidamente alguma coisa que está acontecendo, e a partir disso avisar uma pessoa e ver a possibilidade da rádio cobrir algum desses acontecimentos que foram relatados.Eu trabalhava no turno da manhã, das seis ao meio dia e eu pegava os boletins do turno anterior e tinha de datilografar e entregar ao editor.Com o tempo, com a minha habilidade em falar inglês na rádio escuta e no meu horário, fui colocado para ver noticias da CNN, por duas horas pela manhã, e eu tinha de selecionar o que de mais importante acontecia e entregar um relatório também.Por causa disso, comecei a falar no ar e depois a fazer reportagens de trânsito, acho que todos passam por isso.A rádio escuta é a grande formadora de profissionais de todas as areas.
BF: Até que ponto houve uma influencia familiar na sua escolha por jornalismo ?
AK: Teve muita influência familiar,mas não proposital.Nem meu pai e nem minha mãe viraram e disseram que eu deveria ser jornalista ou que não fosse, ou esse caminho é legal, esse não é.Ninguém tentou me encaminhar pra profissão nenhuma.Mas tem uma coisa, a vida de jornalista não consegue ter uma separação muito clara entre o profissional e o pessoal, você trabalha em horários diferentes da maioria das outras pessoas, trás muita coisa para casa, principalmente no jornalismo esportivo, porque quando não está trabalhando você está assistindo e tudo mais.E eu percebia na atividade deles (seus pais) especialmente do meu pai, que desde que eu nasci já era jornalista esportivo, e eu fui me envolvendo com aquilo, quando eu tinha sete anos meu pai estava na Copa do Mundo, quando eu tinha 11 ele estava nas Olimpíadas.Aí, a partir do momento que eu pude acompanhá-lo nas redações onde ele trabalhou e fui me envolvendo por esse tipo de ambiente e por esse estilo de vida.Então eu sempre tive muito claro que eu queria ser jornalista.
BF: O que você acha que é essencial para um recem-formado entrar no mercado de trabalho ?
AK: Tem muitas coisas que são essenciais e tem muitas coisas que trabalham contra e não adianta a gente querer fugir dessa situação porque é assim que funciona.Eu percebo que depois que eu entrei pro mercado, as coisas só pioraram em termos de competividade, em termos de número de vagas nas redações e principalmente, aqui no Brasil, aquilo que chamamos de substituição de mão-de-obra.Então tem muitas redações que substituem um cara que ganha X, por outro que ganha X sobre 3.Paga a mesma coisa e tem mais gente trabalhando, porque sabe que tem muita oferta, muita gente afim, as faculdades despejam milhares de estudantes todos os anos, as pessoas precisam começar a trabalhar, mas não é nenhuma demérito para alguém começar a trabalhar por pouco dinheiro.O que fazer para superar essa dificuldade, primeiro, independentemente de qualquer coisa, você sempre pode investir na sua formação, isso claro custa dinheiro no caso de um curso de línguas, de computação, que são coisas importantes para a formação.Mas leitura, cultura está acontecendo e passando na nossa frente o tempo todo.Então assim, todo e qualquer tipo de investimento na sua formação, língua, livros,revistas, jornais e qualquer outra habilidade que o diferencie das outras pessoas.Tem a pessoa que é o pacote básico, outra é o pacote intermediárioe temos também as que são o pacote avançado.Seja o avançado, na hora que você for bater em algum lugar, ofereça coisas que a pessoa não espera da maioria.E o que é mais importante é ler, porque quanto mais você lê,melhor você escreve e assim mais dificil é de alguém tomar o seu lugar.
BF: De que forma os meios de multimia colaboram para o jornalismo esportivo ?
AK: A internet é uma maravilha, os blogs são uma maravilha, os fóruns, a maneira como as pessoas interagem hoje em dia,tudo isso é otimo.O problema é que a virtualidade gera um comportamento que não pode ser "policiado"o que é muito preocupante, então o cara que entra em um blog hoje e pode escrever qualquer comentário ofendendo e escrevendo as maiores barbaridades porque ele
BF: De que forma você avalia o nivel dos blogs esportivos brasileiros ?
AK: Eu acho que temos hoje na internet brasileira e na internet esportiva brasileira uma quantidade e qualidade muito alta de blogs de jornalistas, eu frequento vários, todos os dias, raramente eu comento, mas estou sempre olhando e tem uma questão que é fundamental e que eu tento sempre manter como uma linha,que é quando o jornalista do blog está muito próximo de um evento, que é o cara que está cobrindo uma Copa do Mundo, uma Olímpiada, e poder fornecer uma espécie de noticiário diferente do qual as pessoas estão acostumadas, é uma coisa muito interessante.
BF: Você acha que o blog é um complemento do jornal, ou há uma certa disputa entre os dois ?
AK: Eu acho que um é complemento do outro.Não vejo uma tomada de posições, acho que o jornal impresso não vai acabar nunca, e os sites e blog irão trazer mais um motivo para o público em geral se relacionar com aquilo que está acontecendo.
BF: Um palpite para o campeão brasileiro de 2008?
AK: É muito dificil dizer isso, o equilibrio nesse campeonato, com tantos times tendo chances de ser campeão, ele permanece a cada rodada, mas os candidatos mais fortes vão se destacando.Os times estão ganhando em casa, uma vitória fora faz total diferença nessa altura. Eu diria que hoje os times que estão mais próximos do titulo são Cruzeiro e São Paulo, mas isso já pode mudar na proxima rodada.Eu diria que basicamente, dos cinco times que estão brigando, aquele que tiver um desempenho melhor fora de casa, acredito que seja o campeão.
BF: Você acha que falta espírito guerreiro para a seleção de Dunga, ou os craques estão ficando mesmo escassos ?
AK: Eu tenho uma opinião, que este ano deveria ter sido o ano da seleção olímpica, convocar somente jogadores com idade olímpica até o mês de setembro, para que com amistosos, as participações nas eliminatórias para a Copa, e com esse time que iria para Pequim ter condições de montar um grupo mais entrosado e mais comprometido com a seleção brasileira.
BF: Bom, é tudo isso por enquanto.Obrigado pela gentileza em nos receber e conceder a entrevista.
AK: Maravilha.Estou a disposição.
Esses foram os principais trechos da entrevista concedida por André. O Boleiros da Facul vem a ressaltar a importância dessa experiência, pela troca de informações e pelo grande incentivo de um profissional bem qualificado.
E agradecemos novamente ao André, que nos recebeu, concedeu a entrevista, nos mostrou os estúdios e outros jornalista que trabalhavam por lá. Um tempo fornecido pelo qual somos muito gratos.
William Pavão e Ricardo de Almeida Moura
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